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Quer comprar uma usina?

Há apenas três anos, o setor sucroalcooleiro vivenciava um dos melhores períodos de sua história, onde a euforia pelos bons preços e o crescimento da demanda de etanol alavancava a expansão da cultura da cana-de-açúcar por todo o país.

Grupos nacionais e estrangeiros disputavam cada palmo de terra para implantar um novo “greenfield” para a criação de uma nova unidade produtora de cana, etanol, energia elétrica e açúcar.

A economia brasileira e a abundancia de dinheiro no caixa dos fundos de investimentos se dirigiam para nosso país. Era dinheiro fácil, jorrando por todos os lados. Novos “players” surgiam, gente que nunca viu uma touceira de cana na vida, querendo comprar uma usina.

O presidente Lula passeava pelo mundo exibindo orgulhosamente nosso programa de produção de um combustível alternativo, limpo, renovável, cuja conversão energética era fantástica, muito melhor do que o etanol americano oriundo do milho.

O Brasil com os propalados 100 milhões de hectares agricultáveis e disponíveis, se oferecia aos investidores. Polêmicas sobre a ocupação das áreas produtoras de alimentos pela cana de açúcar eram debatidas nas tribunas e nos congressos mundiais.

No Brasil, as usinas continuavam supervalorizadas chegando a ser avaliadas pelo dobro do que realmente valiam. Não havia usina disponível para venda no mercado, o usineiro era comprador e não vendedor.

Greenfields pipocavam no triângulo mineiro, no sul de Goiás, no Mato Grosso do Sul, em São Paulo, no Paraná, até no Norte/Nordeste e a produção de cana crescia ao ritmo de 20% ao ano. Eram mais de 140 novas plantas. A fila de gerentes de banco na porta das usinas dobrava a esquina. Empresas familiares que mal administravam a sua própria usina, construíram a segunda e até a terceira unidade.

Era crédito sobre crédito e a dívida aumentando. Com tudo isso a oferta de etanol e de açúcar inundou e mercado e, de repente, o que aconteceu? Mais de dois anos com preços muito abaixo do custo de produção, esvaziando os cofres das empresas sucroalcooleiras e jogando o setor na maior das crises. Para acabar de uma vez com a euforia, veio, no segundo semestre de 2008, uma crise financeira mundial sem precedentes, quebrando bancos e empresas, paralisando projetos e investimentos em todos os segmentos da economia. O “príncipe virou sapo” e o setor bioenergético brasileiro parou de uma vez. Muita gente boa e tradicional no setor quebrou.

Depois disso, os compradores sumiram, os gerentes se esconderam, os projetos pararam, o Lula se apegou ao Pré-Sal, o BNDES ficou sem dinheiro, a Petrobrás desacelerou os tão propalados investimentos junto com os japoneses, os fundos de investimentos quebraram e as usinas se desvalorizaram a tal ponto que hoje estão sendo consideradas negócio de alto risco. Será que tudo isso é um mico? Ou será que é apenas cíclico? Um novo periodo de expansão pode começar? Estou pensando nisso ainda.

Convite

Evento organizado pela Hóros com apoio e divulgação do Grupo IDEA

Evento organizado pela Hóros com apoio e divulgação do Grupo IDEA

Um dos eventos que organizo é sobre a minha especialidade, variedades de cana de açúcar.
Dias 23 e 24 de Setembro de 2009, no IAC de Ribeirão Preto. Mais informações no site www.ideaonline.com.br.
Um abraço!

Inaugurando…

“Hoje eu sou mais um, amanhã sei que vou estar entre muitos, porém  nunca estarei sozinho” Quero compartilhar meu blog com vocês.